
segunda-feira, 22 de junho de 2009
sábado, 30 de maio de 2009
Duas fazes de Lampião
Vou contar como passou
As coisas no meu sertão
Pois foi lá que eu nasci
De lá eu não abro mão
Vou contar vida e morte
De ferreira Lampião
Quando nasceu no sertão
Seu nome era Virgulino
O cangaceiro do tempo
Era Antonio Silvino
Que logo interessou-se
Da coragem do menino
Nascido eu águas-belas
Belo robusto menino
Isso no século trazado
E a sorte traça o destino
Pra morrer em 38
“Capitão Virgulino”
Quero contar o tempo
Como viveu Lampião
Como foi a trajetória
Do vivente no sertão
Tendo Antonio Silvino
Como legitimo patrão
Antonio Silvino foi preso
Lampião se debandou
Vingar a morte do pai
Logo ali ele pensou
E formando o seu grupo
Na caatinga se embrenhou
Partiu para Juazeiro
Do padre Cicero Romão
Seu padrinho de batismo
Um puro fiel Cristão
Para ouvir da sua boca
Filho dou-lhe abenção
Chegando no Juazeiro
Encontrou o seu padrinho
Que vinha falando calmo
E andando devagarinho
Ajoelhou-se na frente
Disse abença meu padrinho
Daí saiu virgulino
Pelo o padre abençoado
E o presidente pensou
Num plano bem avançado
Para pegar Lampião
O padre seria usado
Mandou quarenta fuzis
Para o padre capelão
Mandou fazer três patentes
Uma para Lampião
Onde dava-lhe o direito
D’ele ser capitão
Para fazer as patentes
Um cabra muito gentil
Tratou com delicadeza
Mostrasse muito viril
Porque tinha a formação
De engenheiro civil
Recebendo a patente
E já de fuzil na mão
Ligeiro como um estalo
Uma bonita visão
Virgulino percebeu
Que aquilo era traição
E logo que percebeu
Tratou de se retirar
Passou pelo Pernambuco
E foi pra outro lugar
E contra a Coluna Prestes
Ele não quis conspirar
Foi aí que começou
A dura perseguição
O governo contratando
Homens, armas e munição
Mandando para a caatinga
Para pegar Lampião
E Lampião já sabendo
De todo acontecimento
Chamou toda a cabroeira
Disse chegou o momento
Não vamos nos entregar
Isso não é sofrimento
Aí Lampião partiu
Pras terras do Mossoró
Junto com a cabroeira
Ele nunca andava só
Pedindo...! E pra quem não desse
Uma surra de cipó
E chegando na cidade
Armou um grande escarcéu
Invadindo um armazém
Não respeitando o quartel
Ainda tirou casquinha
Da cara do coronel
E na volta Lampião
Passando na Paraíba
Teve em Campina Grande
Outra batalha vencida
Onde vieram soldados
Na bala perder a vida
Sobe serra desce serra
Mais não andava atoa
Lampião tinha o destino
Um plano feito de proa
De morar em Maceió
Levar a vida na boa
Mais o plano não deu certo
Tudo ficou arruinado
De roubar a Baronesa
Lampião foi acusado
E a nobre de Água Branca
Quis Lampião deportar
E foi em uma canoa
Que Lampião se jogou
E remando o paquete
Nas águas se deslizou
No período de três horas
Na Bahia ele chegou
Quando na terra baiana
Lampião ali chegou
Vinha meio fracaçado
Pois pouco cabra migrou
Atravessou só com cinco
E mais de cem ele juntou
O cabra de mais destaque
Era um pardo pequeno
Era ligeiro no dedo
Um perigoso veneno
Mais bravo do que um cão
Chamavam de Zé Sereno
Foi quem levou Lampião
Pro rumo Várzea da Ema
Caraíbas e São José
Barro Vermelho da Cena
Mataram lá dez soldados
Sem dó e sem sentir pena
Mais foi lá em São José
Que por três anos morou
Acampou no Serrotinho
E por lá mesmo ficou
E no Riacho do Meio
Muito baralho jogou
Tinha parceiros certos
Eram todos da volante
Soldados que para eles
Lampião era gigante
Faziam-lhe cobertura
Andavam todos errantes
Quando o dia amanhecia
Ao esconder da lua
Lampião para a caatinga
Soldados vinham pra rua
Açoitar o povo dizendo
Coiteiros fiquem na tua
Lampião foi matador
Matava mais que ninguém
Entre ele e os comparsas
Mataram pra mais de cem
E todos eles morreram
Sem ganhar disso um vintém
No Riacho do Angico
O Lampião apagou
Por um buraco de bala
O querosene vazou
E Lampião o sertão
Nunca mais iluminou
Mais foi direto pro céu
Jesus Cristo o chamou
E logo os seus pecados
No momento perdoou
E um emprego descente
Pra Lampião arrumou
São Pedro um tanto velho
Aposentou-se ligeiro
E por ordem Lampião
Do céu ta sendo chaveiro
Lá bem sentado no trono
Um elegante porteiro
E do céu sendo porteiro
Assim pensou Lampião
Perdoar os inimigos
Sem cor e sem distinção
O que passou já passou
Devemos deixar de mão
Chico Ferro está no Rio
Ainda não teve o perdão
Teófilo do Nascimento
Vivendo lá no sertão
Já está calçando as botas
Pra visitar Lampião
Que perdoou os sagazes
Que contam só com sorte
Deu perdão para os espertos
Que andam só de pinote
Perdoou os que morreram
De bala de cravinote
Por isso é aclamado
Pelas cordas da viola
Tem bom na literatura
Que nunca foi na escola
Versa rima metrifica
Tira coelho da cartola
Escrevi para mostrar
A dura realidade
Como tudo se passou
Naquela sociedade
Procurei a ser sincero
Falar somente a verdade
Assim vou me despedir
Amigo caro leitor
Agradeço a inspiração
Vinda do nosso Senhor
Colorindo minha mente
Como um cacho de flor
Joao do Nascimento
Vou contar como passou
As coisas no meu sertão
Pois foi lá que eu nasci
De lá eu não abro mão
Vou contar vida e morte
De ferreira Lampião
Quando nasceu no sertão
Seu nome era Virgulino
O cangaceiro do tempo
Era Antonio Silvino
Que logo interessou-se
Da coragem do menino
Nascido eu águas-belas
Belo robusto menino
Isso no século trazado
E a sorte traça o destino
Pra morrer em 38
“Capitão Virgulino”
Quero contar o tempo
Como viveu Lampião
Como foi a trajetória
Do vivente no sertão
Tendo Antonio Silvino
Como legitimo patrão
Antonio Silvino foi preso
Lampião se debandou
Vingar a morte do pai
Logo ali ele pensou
E formando o seu grupo
Na caatinga se embrenhou
Partiu para Juazeiro
Do padre Cicero Romão
Seu padrinho de batismo
Um puro fiel Cristão
Para ouvir da sua boca
Filho dou-lhe abenção
Chegando no Juazeiro
Encontrou o seu padrinho
Que vinha falando calmo
E andando devagarinho
Ajoelhou-se na frente
Disse abença meu padrinho
Daí saiu virgulino
Pelo o padre abençoado
E o presidente pensou
Num plano bem avançado
Para pegar Lampião
O padre seria usado
Mandou quarenta fuzis
Para o padre capelão
Mandou fazer três patentes
Uma para Lampião
Onde dava-lhe o direito
D’ele ser capitão
Para fazer as patentes
Um cabra muito gentil
Tratou com delicadeza
Mostrasse muito viril
Porque tinha a formação
De engenheiro civil
Recebendo a patente
E já de fuzil na mão
Ligeiro como um estalo
Uma bonita visão
Virgulino percebeu
Que aquilo era traição
E logo que percebeu
Tratou de se retirar
Passou pelo Pernambuco
E foi pra outro lugar
E contra a Coluna Prestes
Ele não quis conspirar
Foi aí que começou
A dura perseguição
O governo contratando
Homens, armas e munição
Mandando para a caatinga
Para pegar Lampião
E Lampião já sabendo
De todo acontecimento
Chamou toda a cabroeira
Disse chegou o momento
Não vamos nos entregar
Isso não é sofrimento
Aí Lampião partiu
Pras terras do Mossoró
Junto com a cabroeira
Ele nunca andava só
Pedindo...! E pra quem não desse
Uma surra de cipó
E chegando na cidade
Armou um grande escarcéu
Invadindo um armazém
Não respeitando o quartel
Ainda tirou casquinha
Da cara do coronel
E na volta Lampião
Passando na Paraíba
Teve em Campina Grande
Outra batalha vencida
Onde vieram soldados
Na bala perder a vida
Sobe serra desce serra
Mais não andava atoa
Lampião tinha o destino
Um plano feito de proa
De morar em Maceió
Levar a vida na boa
Mais o plano não deu certo
Tudo ficou arruinado
De roubar a Baronesa
Lampião foi acusado
E a nobre de Água Branca
Quis Lampião deportar
E foi em uma canoa
Que Lampião se jogou
E remando o paquete
Nas águas se deslizou
No período de três horas
Na Bahia ele chegou
Quando na terra baiana
Lampião ali chegou
Vinha meio fracaçado
Pois pouco cabra migrou
Atravessou só com cinco
E mais de cem ele juntou
O cabra de mais destaque
Era um pardo pequeno
Era ligeiro no dedo
Um perigoso veneno
Mais bravo do que um cão
Chamavam de Zé Sereno
Foi quem levou Lampião
Pro rumo Várzea da Ema
Caraíbas e São José
Barro Vermelho da Cena
Mataram lá dez soldados
Sem dó e sem sentir pena
Mais foi lá em São José
Que por três anos morou
Acampou no Serrotinho
E por lá mesmo ficou
E no Riacho do Meio
Muito baralho jogou
Tinha parceiros certos
Eram todos da volante
Soldados que para eles
Lampião era gigante
Faziam-lhe cobertura
Andavam todos errantes
Quando o dia amanhecia
Ao esconder da lua
Lampião para a caatinga
Soldados vinham pra rua
Açoitar o povo dizendo
Coiteiros fiquem na tua
Lampião foi matador
Matava mais que ninguém
Entre ele e os comparsas
Mataram pra mais de cem
E todos eles morreram
Sem ganhar disso um vintém
No Riacho do Angico
O Lampião apagou
Por um buraco de bala
O querosene vazou
E Lampião o sertão
Nunca mais iluminou
Mais foi direto pro céu
Jesus Cristo o chamou
E logo os seus pecados
No momento perdoou
E um emprego descente
Pra Lampião arrumou
São Pedro um tanto velho
Aposentou-se ligeiro
E por ordem Lampião
Do céu ta sendo chaveiro
Lá bem sentado no trono
Um elegante porteiro
E do céu sendo porteiro
Assim pensou Lampião
Perdoar os inimigos
Sem cor e sem distinção
O que passou já passou
Devemos deixar de mão
Chico Ferro está no Rio
Ainda não teve o perdão
Teófilo do Nascimento
Vivendo lá no sertão
Já está calçando as botas
Pra visitar Lampião
Que perdoou os sagazes
Que contam só com sorte
Deu perdão para os espertos
Que andam só de pinote
Perdoou os que morreram
De bala de cravinote
Por isso é aclamado
Pelas cordas da viola
Tem bom na literatura
Que nunca foi na escola
Versa rima metrifica
Tira coelho da cartola
Escrevi para mostrar
A dura realidade
Como tudo se passou
Naquela sociedade
Procurei a ser sincero
Falar somente a verdade
Assim vou me despedir
Amigo caro leitor
Agradeço a inspiração
Vinda do nosso Senhor
Colorindo minha mente
Como um cacho de flor
Joao do Nascimento
Solidão A Dois
Solidão a Dois
Não adianta insistir, continuar
Está na cara, este amor se acabou
E a solução para evitar o sofrimento
É cada um procurar um novo amor
É triste conviver sem sentimento
E vê no outro o desprezo na afeição
Sente o ardor de um, tapa na cara
Sente crava um punhal no coração
Quando estiver ah dois e sentir solidão
É melhor procurar outro caminho
Pois a solidão ah dois
O sofrimento é maior do quê sozinho
As diferencias num casal, lhes dizem todas
As evidências do amor que se acabou
Um carinho causa aborrecimento
Um abraço provoca tristeza e dor
Fica no corpo o repudio do afeto
Fica na mente um sinal de traição
É pior que um papa na cara
E dói mais que um punhal no coração
Quando estiver ah dois e sentir solidão
É melhor procurar outro caminho
Pois ah solidão ah dois
O sofrimento é maior do quê sozinho
João do Nascimento
Não adianta insistir, continuar
Está na cara, este amor se acabou
E a solução para evitar o sofrimento
É cada um procurar um novo amor
É triste conviver sem sentimento
E vê no outro o desprezo na afeição
Sente o ardor de um, tapa na cara
Sente crava um punhal no coração
Quando estiver ah dois e sentir solidão
É melhor procurar outro caminho
Pois a solidão ah dois
O sofrimento é maior do quê sozinho
As diferencias num casal, lhes dizem todas
As evidências do amor que se acabou
Um carinho causa aborrecimento
Um abraço provoca tristeza e dor
Fica no corpo o repudio do afeto
Fica na mente um sinal de traição
É pior que um papa na cara
E dói mais que um punhal no coração
Quando estiver ah dois e sentir solidão
É melhor procurar outro caminho
Pois ah solidão ah dois
O sofrimento é maior do quê sozinho
João do Nascimento
terça-feira, 5 de maio de 2009
Alma de Ninguém
Preciso do teu bom dia
Boa tarde e boa noite
Você falando comigo
A vida aumenta um mês
A minha alma se salva
O céu se abre de vez
E quando passas por mim
Meu corpo se estremece
Perdido estou, sem perdão
A vida não me convém
E se não fala comigo
Perco a alma também
Perdendo o corpo e a alma
Para mim nada interessa
Vou puxar uma cadeira
Uma cerveja pedir
Não tendo corpo e nem alma
Não bebo e nem vou dormir
Assim não vou precisar
Que alguém vele por mim
Eu mesmo fico velando
O meu poço de loucura
Uma alma invisível
De um corpo sem figura
Quando alguém me perguntar
O que eu estou fazendo
Sentado à beira do poço
Conversando “pro” além
Tenho eu que responder
Velo a alma de ninguém
Ninguém um dia vai ter
A má imaginação
De está à beira do poço
Falando ao invisível
Conversando com a alma
De um corpo inexistivel
E consagrado sou eu
Na terra estou criando
Tenho filhos sem ter mãe
Tenho filhos do além
Hoje mesmo dei a luz
Para a alma de ninguém
Boa tarde e boa noite
Você falando comigo
A vida aumenta um mês
A minha alma se salva
O céu se abre de vez
E quando passas por mim
Meu corpo se estremece
Perdido estou, sem perdão
A vida não me convém
E se não fala comigo
Perco a alma também
Perdendo o corpo e a alma
Para mim nada interessa
Vou puxar uma cadeira
Uma cerveja pedir
Não tendo corpo e nem alma
Não bebo e nem vou dormir
Assim não vou precisar
Que alguém vele por mim
Eu mesmo fico velando
O meu poço de loucura
Uma alma invisível
De um corpo sem figura
Quando alguém me perguntar
O que eu estou fazendo
Sentado à beira do poço
Conversando “pro” além
Tenho eu que responder
Velo a alma de ninguém
Ninguém um dia vai ter
A má imaginação
De está à beira do poço
Falando ao invisível
Conversando com a alma
De um corpo inexistivel
E consagrado sou eu
Na terra estou criando
Tenho filhos sem ter mãe
Tenho filhos do além
Hoje mesmo dei a luz
Para a alma de ninguém
Era um Anjo
Deito-me, e a minha mente
Voa mundo a fora
Enquanto o sono vaga;
Antes de chegar aos meus olhos.
E a tremura do meu corpo
Balança todo o fisco
E acendendo a memória, os olhos fecham
Mas não consigo dormir
Guardando delírio nos campos
Nos campos vagos, magros sem carne
De figuras sem pés; nem olhos
Na minha frente, bem perto
Talvez eu fosse uma d’elas
Não sei: Sei que pastávamos orações
Não sei de onde vindas
Nem mandadas por quem
Postas direto, nas conchas dos ouvidos
E uma voz suave, soava por todos os lados
_Comam, é alimento para anjos sem guarda
E que saciados e fartos
Vão pelos montes e digam:
A pé e a paços calmos
Chegarão palavras dos anjos
Dos anjos destemidos e desvalidos
Porque todos somos anjos
Anjos destemidos.
João Do Nascimento Santos
Voa mundo a fora
Enquanto o sono vaga;
Antes de chegar aos meus olhos.
E a tremura do meu corpo
Balança todo o fisco
E acendendo a memória, os olhos fecham
Mas não consigo dormir
Guardando delírio nos campos
Nos campos vagos, magros sem carne
De figuras sem pés; nem olhos
Na minha frente, bem perto
Talvez eu fosse uma d’elas
Não sei: Sei que pastávamos orações
Não sei de onde vindas
Nem mandadas por quem
Postas direto, nas conchas dos ouvidos
E uma voz suave, soava por todos os lados
_Comam, é alimento para anjos sem guarda
E que saciados e fartos
Vão pelos montes e digam:
A pé e a paços calmos
Chegarão palavras dos anjos
Dos anjos destemidos e desvalidos
Porque todos somos anjos
Anjos destemidos.
João Do Nascimento Santos
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